Petróleo dispara mais de 7% com escalada da tensão entre EUA e Irã e acende alerta para custos do agronegócio

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Foto: Site Uol

O mercado internacional de petróleo voltou a operar sob forte tensão nesta quarta-feira (29). As cotações do Brent e do WTI avançaram mais de 7%, impulsionadas pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, pelo risco de interrupções no abastecimento global e pela queda acima do esperado nos estoques de petróleo dos Estados Unidos.

Na Bolsa de Nova York (Nymex), o petróleo WTI para setembro encerrou o dia cotado a US$ 84,46 por barril, alta de 6,56%. Já o Brent, referência para o mercado internacional e negociado em Londres, fechou a US$ 88,09 por barril, com valorização de 7,32%.

A reação do mercado ocorreu após novos confrontos no Oriente Médio. O Irã lançou ataques contra forças americanas na região, enquanto os Estados Unidos intensificaram ações militares contra grupos apoiados por Teerã. Em resposta, o presidente Donald Trump afirmou que o país responderá “com força” aos ataques, elevando o temor de um conflito ainda mais amplo.

Outro fator que elevou a preocupação dos investidores foi a possibilidade de novas ameaças às principais rotas marítimas de transporte de petróleo. Informações divulgadas pela imprensa internacional indicam que integrantes da Guarda Revolucionária do Irã discutem medidas que podem aumentar a pressão sobre corredores estratégicos da região, enquanto Teerã rejeitou propostas relacionadas à gestão do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.

Além do cenário geopolítico, os preços receberam impulso da divulgação dos estoques semanais de petróleo dos Estados Unidos, que apresentaram queda superior à esperada pelo mercado, sinalizando uma oferta mais apertada no curto prazo.

Para o analista Samer Hash, da XS.com, uma guerra prolongada pode comprometer importantes instalações petrolíferas no Oriente Médio e manter os preços elevados por um período prolongado.

“Os danos à infraestrutura podem levar anos para serem reparados, sustentando um cenário de petróleo caro e aumentando o risco de eventos extremos no mercado de energia”, avaliou.

Na Europa, a guerra entre Rússia e Ucrânia também voltou ao radar dos investidores após autoridades ucranianas informarem ataques contra uma das maiores refinarias russas, ampliando as incertezas sobre o fornecimento global de combustíveis.

Para o agronegócio brasileiro, a disparada do petróleo é acompanhada com atenção. A valorização do barril tende a pressionar os custos do diesel, do transporte de cargas e dos fertilizantes — insumos fortemente dependentes da cadeia de energia. Caso o cenário de tensão persista, produtores rurais podem enfrentar aumento nas despesas operacionais justamente durante o planejamento da próxima safra.

Por: Amanda Coelho