
O número de recuperações judiciais no agronegócio brasileiro continua em alta, refletindo a dificuldade enfrentada pelos produtores para manter as contas em dia diante dos juros elevados, aumento dos custos de produção e da falta de medidas mais efetivas de apoio ao setor. Levantamento da RGF Associados/BizDoc aponta que o agro encerrou o primeiro semestre de 2026 com 1.304 CNPJs em recuperação judicial, alta de 71,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
O estudo mostra que a crise deixou de atingir apenas grandes empresas e passou a afetar principalmente produtores rurais e pequenos empreendimentos. Dos processos em andamento, cerca de 74% pertencem a produtores rurais, evidenciando o impacto da combinação entre margens reduzidas, crédito cada vez mais caro e sucessivas dificuldades enfrentadas no campo.
A soja concentra quase metade das recuperações judiciais, com 612 produtores nessa situação, seguida por culturas como milho, café, arroz e pela pecuária leiteira, que também registraram forte crescimento nos pedidos.
Segundo a consultoria, o cenário é resultado da queda nos preços de algumas commodities, dos altos custos de produção, das oscilações cambiais, dos problemas climáticos e, principalmente, das elevadas taxas de juros, que encareceram o crédito rural. Mesmo com a redução gradual da Selic, o alívio ainda não chegou ao financiamento do produtor, que continua recorrendo a renegociações e à recuperação judicial para preservar a atividade e evitar a perda de patrimônio.
Os efeitos da crise já começam a atingir outros segmentos da cadeia do agronegócio, como revendas de insumos, concessionárias de máquinas agrícolas, transportadoras e indústrias, reforçando a preocupação do setor com a necessidade de políticas que ampliem o acesso ao crédito e reduzam o custo financeiro da produção rural.
Por: Amanda Coelho
