Oferta ajustada e demanda aquecida sustentam alta da arroba; pecuária de MS ganha força no mercado nacional

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O mercado da carne bovina iniciou agosto com sinais de recuperação e maior firmeza nas negociações. Após semanas de pressão entre pecuaristas e frigoríficos, a combinação entre oferta mais restrita de animais terminados, escalas de abate enxutas e uma demanda interna mais aquecida começa a dar sustentação às cotações da arroba em diversas regiões produtoras do país.

Segundo levantamento da Agrifatto, o retorno às aulas, a entrada da massa salarial de julho e a proximidade do Dia dos Pais, comemorado em 9 de agosto, ajudaram a fortalecer o consumo de carne bovina no varejo, especialmente em São Paulo, principal referência do mercado nacional.

O movimento de melhora na demanda chega em um momento em que a indústria encontra dificuldades para ampliar suas escalas de abate, que permanecem, em média, entre cinco e seis dias úteis. Com menor disponibilidade de boi pronto, os frigoríficos voltaram a intensificar as compras, favorecendo a valorização da arroba.

Em São Paulo, a referência do boi gordo segue próxima dos R$ 350 por arroba, tanto para animais destinados ao mercado interno quanto para o padrão China. Negociações pontuais já alcançam valores entre R$ 355 e R$ 360/@, enquanto em algumas praças há registros de negócios próximos a R$ 370/@, embora ainda com volumes reduzidos e sem impacto suficiente para alterar as médias oficiais.

O movimento também aparece nas categorias de fêmeas. Segundo a Scot Consultoria, a vaca terminada em São Paulo chegou a R$ 322/@ e a novilha alcançou R$ 337/@, ambas com alta recente.

Exportações e mercado interno fortalecem cenário

Além da retomada do consumo doméstico, as exportações continuam sendo um dos pilares de sustentação da pecuária brasileira. O câmbio favorável e a demanda internacional mantêm a competitividade da carne brasileira, ajudando a equilibrar um mercado interno ainda limitado pelo poder de compra das famílias.

Dados do Cepea mostram que, nos primeiros sete meses de 2026, o mercado do boi gordo apresentou relativa firmeza. O Indicador CEPEA/ESALQ para o boi gordo em São Paulo teve média à vista de R$ 335,50/@ em julho, alta real de 1,8% em comparação a janeiro, quando o valor médio era de R$ 329,52/@.

No atacado, a carcaça casada bovina também apresentou estabilidade, com média de R$ 23,62/kg em julho, praticamente mantendo os níveis registrados no início do ano.

Mato Grosso do Sul mantém protagonismo na pecuária nacional

Em Mato Grosso do Sul, um dos principais polos pecuários do Brasil, o cenário de oferta ajustada e valorização da carne encontra uma cadeia produtiva cada vez mais estruturada.

O Estado possui o terceiro maior rebanho bovino do país, com aproximadamente 18 milhões de cabeças, segundo dados do IBGE, e mantém uma das bases produtivas mais importantes para o abastecimento nacional e para as exportações brasileiras.

A força da pecuária sul-mato-grossense vem sendo construída por investimentos em genética, manejo, sanidade e tecnologias de produção. Programas de melhoria genética, como os desenvolvidos pela Nelore MS e outras entidades do setor, além do avanço da pecuária de precisão e da intensificação dos sistemas produtivos, têm elevado a produtividade dentro das propriedades.

Outro fator que fortalece o Estado é a crescente participação em mercados internacionais. Mato Grosso do Sul segue entre os maiores exportadores de carne bovina do país, com frigoríficos habilitados para atender diferentes destinos globais, incluindo a China, principal comprador da proteína brasileira.

A indústria local também vem ampliando investimentos em sustentabilidade, rastreabilidade e agregação de valor, movimentos que aumentam a competitividade da carne sul-mato-grossense no cenário mundial.

Perspectiva é de mercado firme

Apesar das oscilações naturais do mercado futuro — o contrato do boi gordo na B3 para agosto de 2026 fechou recentemente próximo de R$ 346/@ — o mercado físico segue sustentado pelos fundamentos.

A expectativa das consultorias é que a primeira quinzena de agosto mantenha maior ritmo de consumo, especialmente com datas comemorativas e melhora sazonal das vendas, mantendo os frigoríficos ativos nas compras.

Para o pecuarista, o momento reforça uma tendência já observada ao longo do ano: uma oferta mais equilibrada, demanda externa consistente e uma cadeia produtiva mais preparada ajudam a dar sustentação aos preços da arroba.

Em Mato Grosso do Sul, onde a pecuária tem papel estratégico na economia e na geração de renda no campo, o avanço tecnológico e a profissionalização das propriedades indicam que o Estado segue preparado para aproveitar novos ciclos de valorização da carne brasileira.

Por: Fabíola Camilo