Produção de leite bate recorde no Brasil com menos vacas e maior produtividade

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A pecuária leiteira brasileira alcançou um novo recorde de produção em 2025, mas o dado que mais chama atenção está na relação entre volume produzido e tamanho do rebanho. O país produziu 36,7 bilhões de litros de leite, alta de 2,7% em relação a 2024, enquanto o número de vacas ordenhadas caiu 2,7%, para 14,7 milhões de animais.

Os números da Pesquisa da Pecuária Municipal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a expansão da atividade está ocorrendo principalmente pelo ganho de produtividade.

Foi o terceiro ano consecutivo de crescimento da produção. Ao mesmo tempo, o número de vacas ordenhadas chegou ao menor nível desde 1979, quando eram 14,9 milhões de animais. O recorde histórico ocorreu em 2011, com 23,2 milhões de vacas ordenhadas, e desde então o indicador apresenta trajetória de queda.

Na outra ponta, a produtividade média avançou pelo terceiro ano seguido. Em 2025, cada vaca produziu, em média, 2.498,7 litros de leite, alta de 5,6% em relação ao ano anterior e novo recorde nacional.

Segundo o IBGE, o avanço está relacionado a fatores como condições climáticas favoráveis, investimentos em melhoramento genético e um processo de reorganização da base produtiva, com a saída principalmente de produtores menos especializados ou com menor capacidade de investimento.

Para o analista da pesquisa, Octavio Costa de Oliveira, a atividade exige investimentos crescentes em mão de obra e tecnologia, o que favorece produtores com maior capacidade de capitalização. “O grandes produtores têm a capacidade desses investimentos”, afirmou.

Sul lidera produtividade e produção

A região Sul apresenta o maior nível de produtividade do país. Em 2025, cada vaca produziu, em média, 4,3 mil litros de leite. Na sequência aparecem Sudeste, com 2,9 mil litros; Centro-Oeste, com 2 mil; Nordeste, com 1,7 mil; e Norte, com 957 litros por animal.

O Sul também liderou a produção nacional, com 34% do total, seguido de perto pelo Sudeste, responsável por 33,5%. O Nordeste respondeu por 18%, o Centro-Oeste por 9,8% e o Norte por 4,6%.

Minas Gerais continua na liderança entre os estados produtores, com 10,1 bilhões de litros em 2025. Paraná, com 4,8 bilhões; Rio Grande do Sul, com 4,2 bilhões; Santa Catarina, com 3,4 bilhões; e Goiás, com 2,9 bilhões, completam a lista dos cinco maiores produtores.

No ranking municipal, Castro, no Paraná, aparece na primeira colocação, com 532,8 milhões de litros produzidos no ano passado.

Valor da produção chega a R$ 89,5 bilhões

O valor da produção de leite alcançou R$ 89,5 bilhões em 2025, crescimento de 2,3% em relação ao ano anterior. O cálculo considera o volume produzido e o preço médio recebido pelo produtor, sem correção pela inflação.

O preço médio nacional ficou em R$ 2,44 por litro, praticamente estável em relação a 2024. Do total produzido, 75,2% foi destinado à indústria. O restante teve outros destinos, incluindo consumo próprio e produção de queijos artesanais.

O cenário revelado pelo IBGE mostra uma transformação importante na pecuária leiteira brasileira: o país produz mais com um número menor de animais. O avanço da produtividade coloca genética, manejo, tecnologia, nutrição e capacidade de investimento cada vez mais no centro da competitividade da atividade.

O Brasil é atualmente o sexto maior produtor mundial de leite e possui o terceiro maior rebanho de vacas ordenhadas.

Por: Elaine Oliveira