Queda no preço do cacau pode devolver mais chocolate às receitas e reduzir produtos “sabor chocolate

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Reportagem da CNN Agro mostra que a forte queda nas cotações internacionais do cacau pode provocar uma nova mudança nas prateleiras dos supermercados. Depois de um período marcado pela redução do tamanho das barras, alterações nas receitas e aumento da oferta de produtos rotulados como “sabor chocolate”, a tendência agora é de retomada do uso do cacau nas formulações.

Nos últimos dois anos, a disparada dos preços da commodity levou a indústria a buscar alternativas para reduzir custos. Em 2024, a tonelada do cacau chegou a ultrapassar US$ 12 mil no mercado internacional. Atualmente, os contratos futuros negociados em Nova York estão abaixo de US$ 4 mil por tonelada, uma queda próxima de 70%.

Segundo a CNN Agro, grandes fabricantes já estudam voltar às receitas originais. A norte-americana Hershey, dona das marcas Hershey’s e Reese’s, anunciou que pretende restaurar suas formulações tradicionais a partir do próximo ano, após críticas de consumidores e especialistas.

No Brasil, a mudança também será impulsionada pela nova legislação aprovada em maio, que estabelece padrões mínimos para que um produto possa ser comercializado como chocolate. A regra exige, em geral, 35% de sólidos totais de cacau, com exceções específicas para chocolates ao leite.

A medida é vista como positiva para a cadeia produtiva do cacau, especialmente para produtores brasileiros. O país figura entre os maiores consumidores de chocolate do mundo e pode ampliar a demanda por matéria-prima nacional, beneficiando principalmente produtores da Bahia e do Pará.

Apesar do cenário mais favorável, especialistas ouvidos pela CNN Agro avaliam que a recuperação total do consumo global de cacau ainda deve levar alguns anos. Além disso, fatores como mudanças nos hábitos de consumo, crescimento de produtos alternativos e riscos climáticos nas regiões produtoras continuam no radar do mercado.

Por: Redação Caderno Agro