
O mercado pecuário brasileiro iniciou a semana em compasso mais cauteloso. Frigoríficos e pecuaristas adotaram postura de observação, com poucos negócios efetivamente realizados nas principais praças do país. Apesar da menor movimentação no mercado físico, as exportações seguem dando sustentação ao setor e reforçam o bom momento da carne bovina brasileira no cenário internacional.
Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, nos primeiros 14 dias úteis de junho, o Brasil embarcou 187 mil toneladas de carne bovina in natura. O volume representa uma média diária de 13,36 mil toneladas, crescimento de aproximadamente 11% em relação ao mesmo período de junho de 2025, quando a média diária foi de 12 mil toneladas.
O desempenho reforça a forte demanda internacional pela proteína brasileira, especialmente por parte da China, Estados Unidos e mercados do Oriente Médio, que continuam entre os principais destinos da carne produzida no país.
Mato Grosso do Sul acompanha cenário de forte exportação
Em Mato Grosso do Sul, um dos maiores polos pecuários do Brasil, o mercado registrou ajuste nos preços da arroba ao longo da última semana. Segundo levantamento da Agrifatto, a cotação média do boi gordo no Estado fechou em R$ 340,89 por arroba, queda de 0,83% em relação ao dia anterior.
Apesar da correção pontual, o cenário segue considerado positivo para a pecuária sul-mato-grossense. O Estado mantém posição de destaque nacional tanto na produção quanto nas exportações de carne bovina.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que Mato Grosso do Sul vem registrando crescimento consistente nos embarques de carne bovina ao longo de 2026, impulsionado pela habilitação de novos mercados e pela ampliação da capacidade industrial dos frigoríficos instalados no Estado.
Segundo a Famasul, o rebanho bovino sul-mato-grossense ultrapassa 18 milhões de cabeças, consolidando o Estado entre os cinco maiores produtores de gado do país.
Escalas de abate permanecem confortáveis
Outro indicador acompanhado de perto pelo mercado é o das escalas de abate. A média nacional encerrou a semana em sete dias úteis, sem alterações significativas, demonstrando um abastecimento confortável para a indústria frigorífica.
Entre as principais regiões produtoras monitoradas, Mato Grosso do Sul registrou avanço de um dia útil nas escalas, movimento semelhante ao observado em Mato Grosso, Pará e Rondônia. Já Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Tocantins mantiveram seus cronogramas estáveis.
O destaque ficou para o Paraná, que ampliou suas programações em dois dias úteis, encerrando a semana com oito dias de abates agendados.
Mercado futuro aponta estabilidade
Na Bolsa Brasileira (B3), o contrato futuro do boi gordo com vencimento em agosto de 2026 apresentou leve valorização de 0,07%, encerrando negociado a R$ 335,60 por arroba.
Para analistas do setor, a combinação entre exportações aquecidas, oferta controlada de animais terminados e demanda internacional firme continua sendo o principal fator de sustentação dos preços, mesmo diante da lentidão observada nas negociações do mercado físico.
A expectativa para as próximas semanas é de que os embarques sigam em ritmo forte, especialmente com a proximidade do segundo semestre, período tradicionalmente marcado pelo aumento da demanda internacional por carne bovina brasileira.
Por: Redação Cadrrno Agro
