O governo federal anunciou nesta semana uma nova iniciativa voltada ao fortalecimento da chamada economia verde. Em cerimônia realizada em Brasília, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras formalizaram um protocolo de intenções para ampliar estudos, pesquisas e investimentos relacionados aos minerais críticos e estratégicos, insumos considerados fundamentais para a transição energética global.
O acordo foi firmado na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e prevê cooperação técnica entre as instituições para identificar oportunidades de desenvolvimento tecnológico e industrial no setor mineral brasileiro.
A iniciativa ocorre em um momento em que países ao redor do mundo disputam acesso a matérias-primas essenciais para a fabricação de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de geração de energia limpa.
Brasil possui reservas estratégicas para a nova economia
O país ocupa posição relevante no cenário internacional por deter importantes reservas de minerais considerados estratégicos para a descarbonização da economia. Entre eles estão lítio, grafite natural, níquel, manganês, estanho e alumina.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o objetivo é evitar que o Brasil seja apenas exportador de matéria-prima e ampliar a agregação de valor por meio da industrialização e da inovação tecnológica.
A proposta é que novos acordos sejam firmados futuramente com empresas do setor mineral para ampliar pesquisas e estimular investimentos capazes de fortalecer toda a cadeia produtiva.
Mato Grosso do Sul ganha espaço no setor mineral
Embora os principais projetos de lítio estejam concentrados em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul também desponta como uma região de interesse para investimentos ligados à mineração e à industrialização sustentável.
O Estado possui reservas de manganês, ferro, calcário e outros minerais utilizados pela indústria, além de uma política de atração de investimentos que vem impulsionando novos empreendimentos voltados à bioenergia, celulose e produção de combustíveis renováveis.
Nos últimos anos, o Governo de Mato Grosso do Sul tem defendido a diversificação da matriz econômica estadual, associando desenvolvimento industrial à sustentabilidade ambiental, estratégia que dialoga diretamente com as novas demandas da economia de baixo carbono.
Mercado de carbono movimenta R$ 450 milhões
Além da parceria voltada aos minerais estratégicos, o evento também marcou a divulgação dos resultados do primeiro leilão do ProFloresta+, programa desenvolvido pelo BNDES e pela Petrobras para incentivar a restauração de áreas degradadas da Amazônia por meio da geração de créditos de carbono.
Foram selecionadas três empresas responsáveis pelo fornecimento de cinco milhões de créditos de carbono originados de projetos de recuperação ambiental com espécies nativas.
A expectativa é que a iniciativa mobilize aproximadamente R$ 450 milhões em investimentos diretos, além da criação de cerca de 6,3 mil empregos verdes nos próximos anos.
O programa também prevê o plantio de mais de 25 milhões de árvores nativas, contribuindo para a recuperação de áreas degradadas e para a captura de aproximadamente cinco milhões de toneladas de carbono da atmosfera.
Transição energética abre novas oportunidades
Especialistas apontam que a demanda mundial por minerais estratégicos deve crescer significativamente nas próximas décadas, impulsionada pela expansão dos veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia e tecnologias voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa.
Nesse cenário, o Brasil busca posicionar-se não apenas como fornecedor de recursos naturais, mas também como produtor de tecnologia e produtos industrializados de maior valor agregado.
A combinação entre exploração mineral sustentável, inovação tecnológica e expansão do mercado de carbono é vista pelo governo federal como uma oportunidade para ampliar a competitividade do país em um dos setores mais promissores da economia global nas próximas décadas.
Por: Redação Caderno Agro
