Mercado do boi gordo segue lento, frigoríficos mantêm escalas confortáveis e setor aposta na expansão das exportações

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O mercado do boi gordo continua apresentando ritmo lento nas negociações em grande parte do País. Com escalas de abate consideradas confortáveis, os frigoríficos têm reduzido a necessidade de novas compras, o que mantém o ambiente de comercialização mais cauteloso e limita uma reação mais consistente nos preços da arroba.

Levantamento da consultoria Agrifatto mostra que a média nacional das programações de abate está em oito dias úteis, indicando que as indústrias permanecem abastecidas e conseguem operar sem pressão imediata para adquirir novos lotes de animais terminados.

Em Mato Grosso do Sul, um dos principais polos da pecuária brasileira, as escalas permanecem em sete dias úteis, patamar considerado confortável e estável em relação aos últimos levantamentos. Situação semelhante é observada no Pará.

Já São Paulo e Tocantins operam com escalas de oito dias úteis, enquanto Goiás e Minas Gerais apresentam os maiores períodos de programação, com nove e onze dias, respectivamente. Mato Grosso encerra o período com oito dias de abate programados, e Rondônia e Paraná também mantêm escalas suficientes para garantir tranquilidade às operações das plantas frigoríficas.

Na avaliação de analistas, esse cenário reduz a competitividade nas compras de gado terminado, já que a indústria encontra oferta suficiente para atender à demanda atual. Com isso, muitos pecuaristas seguem aguardando melhores oportunidades de comercialização, enquanto os frigoríficos mantêm uma postura seletiva nas aquisições.

Exportações seguem como principal sustentação do setor

Apesar da lentidão observada no mercado interno, o desempenho das exportações continua sendo o principal fator de sustentação para a cadeia da carne bovina brasileira.

O Brasil mantém posição de liderança no comércio internacional da proteína e busca ampliar sua presença em mercados estratégicos. Um dos destaques é o Vietnã, que vem consolidando sua importância como destino para a carne bovina brasileira.

Recentemente, o Ministério da Agricultura e Pecuária autorizou duas novas plantas frigoríficas a exportarem para o país asiático: uma unidade da Naturafrig, em Pirapozinho (SP), e outra da Sulbeef, localizada em Aparecida do Taboado (MS). Com isso, o número de estabelecimentos brasileiros habilitados a vender carne ao mercado vietnamita chegou a 12.

Segundo dados da Agrifatto, quase 100 plantas frigoríficas brasileiras já protocolaram pedidos de habilitação e aguardam a aprovação das autoridades sanitárias do Vietnã desde a abertura do mercado, em março de 2025.

A expectativa do setor é que novas habilitações ampliem o volume exportado nos próximos meses, fortalecendo a demanda pela carne bovina brasileira e contribuindo para equilibrar o mercado doméstico.

Enquanto isso, o mercado físico segue acompanhando o comportamento das escalas de abate, da oferta de animais terminados e, principalmente, do desempenho das exportações, que continuam sendo o principal vetor de sustentação para a pecuária nacional em um momento de negociações mais lentas no mercado interno.

Por: Redação Caderno Agro