
Os impactos da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem ser menores do que o inicialmente previsto para o agronegócio de Mato Grosso do Sul. Isso porque a carne bovina, principal item exportado pelo Estado ao mercado norte-americano, ficou de fora da lista de produtos atingidos pela sobretaxa. Também permaneceram isentos produtos relevantes para a pauta exportadora, como tilápia, madeira e couros.
A avaliação é da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), com base em análise técnica elaborada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo a entidade, a ampliação da lista de exceções reduziu significativamente os efeitos da medida para o agronegócio sul-mato-grossense.
Carne bovina preservada reduz impacto no Estado
De acordo com a Famasul, os Estados Unidos respondem por aproximadamente 5% das exportações do agronegócio de Mato Grosso do Sul, percentual relativamente pequeno quando comparado à China, principal destino da produção estadual, responsável por 52,2% das vendas externas do setor.
Além da baixa participação do mercado norte-americano na balança comercial do Estado, a permanência da carne bovina entre os produtos isentos foi decisiva para minimizar os impactos da medida. O produto lidera as exportações sul-mato-grossenses para os Estados Unidos e sua exclusão da tarifa preserva boa parte da competitividade das indústrias frigoríficas locais.
Na avaliação da Federação, esse cenário coloca Mato Grosso do Sul em uma posição mais confortável diante da nova política comercial norte-americana, embora o momento ainda exija atenção aos próximos desdobramentos.
Maioria das exportações do agro brasileiro ficou fora da tarifa
No cenário nacional, o resultado também foi considerado positivo pelo setor. Segundo a CNA, cerca de 63,5% do valor das exportações brasileiras do agronegócio destinadas aos Estados Unidos permaneceram livres da tarifa adicional após a divulgação da lista definitiva de exceções.
Além da carne bovina, continuam isentos produtos como café, laranja, suco de laranja, cacau, especiarias, café solúvel sem adição de sabor, mel orgânico, determinados pescados, madeira e couros.
A sobretaxa de 25% passa a valer para os produtos que ficaram fora da relação de exceções.

Relação comercial beneficia Brasil e Estados Unidos
A CNA também destaca que a relação comercial entre os dois países é marcada pela complementaridade. Durante as negociações, empresas e importadores norte-americanos defenderam a manutenção das compras de diversos produtos brasileiros por entenderem que eles abastecem cadeias produtivas dos próprios Estados Unidos e ajudam a evitar aumento de custos para a indústria local.
Os Estados Unidos ocupam atualmente a segunda posição entre os principais destinos das exportações do agronegócio brasileiro. Em 2025, as vendas do setor para o mercado norte-americano alcançaram aproximadamente US$ 12 bilhões, evidenciando a importância estratégica da parceria comercial.
Monitoramento continua
Apesar do alívio para Mato Grosso do Sul, alguns produtos brasileiros seguem sujeitos à tarifa adicional, entre eles açúcar, etanol, carne suína e parte dos produtos industrializados.
Para a Famasul, a decisão final foi mais favorável do que a prevista inicialmente, principalmente por preservar os principais produtos exportados pelo Estado. Ainda assim, a entidade ressalta que continuará acompanhando, em conjunto com a CNA, a evolução da política comercial dos Estados Unidos, já que eventuais mudanças na lista de exceções poderão afetar a competitividade de determinados segmentos do agronegócio brasileiro.
Por: Fabíola Camilo
