China informa uso de 80% da cota da carne bovina brasileira, mas setor avalia que limite já está praticamente esgotado

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O Brasil já atingiu 80% da cota de exportação de carne bovina para a China em 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério do Comércio chinês. No entanto, representantes da cadeia da carne avaliam que esse percentual pode ser ainda maior, já que os números divulgados por Pequim consideram apenas as cargas que efetivamente chegaram aos portos chineses, sem contabilizar os embarques realizados nas últimas semanas que ainda estão em trânsito.

Na prática, o mercado acredita que a cota esteja praticamente esgotada. Isso porque existe um intervalo entre o embarque da carne no Brasil e a chegada ao destino final, o que faz com que os dados oficiais chineses apresentem uma defasagem em relação ao volume efetivamente comercializado.

Desde janeiro, está em vigor a medida de salvaguarda adotada por Pequim, que estabelece uma tarifa de 55% para os países que ultrapassarem o volume anual autorizado de exportação. Para o Brasil, o limite em 2026 é de 1,1 milhão de toneladas. Em 2025, a China respondeu por 48% das exportações brasileiras de carne bovina, importando 1,68 milhão de toneladas, com faturamento de US$ 8,9 bilhões, evidenciando a forte dependência do mercado chinês.

O governo brasileiro segue tentando negociar alternativas para minimizar os impactos da medida. Entre as propostas apresentadas está a redistribuição de cotas não utilizadas por outros países, mas, até o momento, o pedido não foi aceito pelas autoridades chinesas.

Questionado sobre o assunto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que o país está disposto a manter diálogo com o Brasil e com os demais parceiros comerciais para fortalecer uma cooperação econômica “saudável e estável”. Apesar da declaração, não houve sinalização sobre mudanças na política de salvaguarda.

O tema ganhou ainda mais relevância após a conversa por telefone entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês Xi Jinping, realizada no último domingo (26). Embora o comércio entre os dois países tenha sido um dos assuntos tratados, os comunicados oficiais não confirmaram se a questão da cota da carne bovina esteve na pauta.

Diante da possibilidade de restrições nas vendas para seu principal comprador, o Brasil também intensifica a busca por novos mercados. Os Estados Unidos aparecem entre os principais destinos potenciais, impulsionados pela redução do rebanho bovino norte-americano e pela necessidade de ampliar as importações para atender à demanda interna.

Para os pecuaristas de Mato Grosso do Sul, um dos principais estados exportadores de carne bovina do país, a evolução das negociações com a China segue sendo acompanhada de perto. Caso a cota seja efetivamente atingida nas próximas semanas, a tendência é de maior pressão sobre o mercado exportador e de uma busca mais intensa por alternativas comerciais para manter o ritmo dos embarques.

Por: Amanda Coelho