Prévia da inflação perde força em julho e reforça expectativa de manutenção da Selic

Compartilhe:

A prévia da inflação oficial brasileira desacelerou em julho e veio abaixo das expectativas do mercado financeiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) avançou 0,06% no mês, após registrar alta de 0,41% em junho, conforme divulgado nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, o indicador acumula alta de 3,51% em 2026 e de 4,52% nos últimos 12 meses, permanecendo muito próximo do limite superior da meta de inflação perseguida pelo Banco Central.

O desempenho surpreendeu positivamente o mercado. Levantamento da pesquisa Projeções Broadcast apontava expectativa de alta entre 0,17% e 0,28%, com mediana de 0,21%. Na comparação anual, os analistas projetavam uma inflação entre 4,63% e 4,74%, acima do resultado efetivamente divulgado.

A desaceleração do IPCA-15 reforça a percepção de que as pressões inflacionárias perderam intensidade nas últimas semanas, embora o índice ainda permaneça acima do centro da meta estabelecida para a política monetária.

Mercado acompanha impactos sobre os juros

Para o mercado financeiro, a leitura mais fraca da inflação tende a fortalecer a expectativa de manutenção da taxa básica de juros (Selic) nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), desde que o comportamento dos preços continue mostrando sinais de acomodação.

No entanto, analistas avaliam que o Banco Central deve seguir adotando uma postura cautelosa. Além da inflação doméstica, permanecem no radar fatores externos, como o comportamento da economia norte-americana, a trajetória dos juros nos Estados Unidos e as oscilações do câmbio, que continuam influenciando a formação dos preços no Brasil.

Reflexos para o agronegócio

Para o agronegócio, uma inflação mais controlada contribui para reduzir parte das pressões sobre os custos da economia e melhora a previsibilidade para investimentos e contratação de crédito.

Ao mesmo tempo, a manutenção da Selic em níveis elevados ainda representa um desafio para produtores rurais e empresas do setor, principalmente na contratação de financiamentos para custeio, investimentos e expansão da produção.

Nos próximos meses, o mercado seguirá acompanhando os indicadores de inflação para avaliar os próximos passos da política monetária e seus impactos sobre o crédito, o consumo e a atividade econômica.

Por: Redação Caderno Agro