
A demora na publicação das normas que regulamentam o Plano Safra 2026/2027 vem atrasando o acesso dos produtores ao crédito rural em um período decisivo para o planejamento da nova safra. A autorização para o pagamento da equalização dos juros, publicada pelo governo federal quase um mês após o lançamento do programa, era a etapa necessária para que os bancos começassem a operar as linhas com taxas subsidiadas.
Ao todo, o Plano Safra terá R$ 141,9 bilhões em recursos equalizáveis, sendo R$ 97,5 bilhões destinados à agricultura empresarial e R$ 44,4 bilhões à agricultura familiar. Entretanto, cerca de R$ 94,7 bilhões estarão disponíveis neste ano, conforme os limites de liberação definidos para cada instituição e linha de financiamento.
A demora na regulamentação preocupa o setor porque ocorre justamente no período de compra de insumos e preparação da safra. Sem a liberação das linhas subsidiadas no momento adequado, produtores podem precisar recorrer a financiamentos mais caros para garantir a aquisição de fertilizantes e defensivos.
Além disso, a falta de regulamentação complementar da MP 1.376/2026, que trata da renegociação das dívidas rurais, mantém outro entrave para agricultores que precisam regularizar pendências financeiras antes de contratar novos empréstimos.
A medida prevê a renegociação de dívidas de produtores afetados por eventos climáticos e oscilações de mercado entre 2019 e 2025, mas a demora na definição das regras reduz o tempo para adesão e pode atrasar ainda mais o acesso ao crédito.
Com a autorização da equalização, os bancos passam a estruturar a operação das linhas, mas a liberação dos recursos ainda depende dos procedimentos internos de cada instituição. Para o setor produtivo, o desafio é garantir que o crédito chegue ao campo no momento certo para não comprometer o planejamento da safra.
Por: Amanda Coelho
