
A cadeia brasileira de proteína animal deve manter o ritmo de expansão em 2026. Projeções divulgadas nesta terça-feira (28) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam aumento da produção de carne de frango, carne suína e ovos, acompanhado por maior oferta ao mercado interno, crescimento do consumo per capita e avanço das exportações de frango e suínos.
No segmento de carne de frango, a produção poderá atingir entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas no próximo ano. Se confirmado o cenário mais otimista, o volume representará um crescimento de até 5,6% em relação às 15,289 milhões de toneladas produzidas em 2025.
As exportações também devem registrar novo recorde, podendo alcançar 5,875 milhões de toneladas, alta de até 10,3% sobre o ano anterior. Com isso, a disponibilidade para o mercado brasileiro deverá chegar a aproximadamente 10,275 milhões de toneladas, enquanto o consumo por habitante poderá subir de 46,7 para 48,1 quilos ao ano.
Na suinocultura, a expectativa também é positiva. A ABPA estima uma produção de até 5,87 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 5% superior ao registrado em 2025. As vendas externas poderão atingir 1,6 milhão de toneladas, avanço de até 5,9%, refletindo a continuidade da demanda internacional pela proteína brasileira.
O mercado interno também deve absorver parte desse crescimento. A oferta de carne suína poderá alcançar 4,27 milhões de toneladas, enquanto o consumo per capita deve aumentar de 19,1 para 20 quilos por habitante.
Já a produção de ovos segue em trajetória de expansão, impulsionada pelo consumo crescente da proteína, considerada uma das opções mais acessíveis ao consumidor. A expectativa é de que a produção nacional alcance 64,8 bilhões de unidades em 2026, crescimento de até 4,1% em relação ao ano anterior.
O consumo per capita deverá ultrapassar a marca de 300 ovos por habitante ao ano, chegando a 301 unidades, frente às 288 registradas em 2025. Em contrapartida, as exportações devem recuar para cerca de 30 mil toneladas, redução de até 26,6% na comparação anual, reflexo da maior destinação da produção ao abastecimento do mercado doméstico.
De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o cenário reforça a tendência de fortalecimento da cadeia de proteína animal brasileira, com crescimento simultâneo da produção, do consumo interno e das exportações, especialmente nos segmentos de frango e carne suína.
Reflexos para o setor
As projeções reforçam o protagonismo do Brasil no mercado global de proteínas animais. O aumento da produção amplia a capacidade do país de atender tanto a demanda doméstica quanto os mercados internacionais, em um momento de recuperação do consumo e diversificação dos destinos das exportações.
Para os produtores, o cenário também representa maior necessidade de eficiência na gestão dos custos de produção, principalmente com alimentação animal. Milho e farelo de soja continuam sendo os principais componentes da ração e exercem influência direta sobre a rentabilidade da atividade. Ao mesmo tempo, o avanço das exportações tende a contribuir para a manutenção do bom desempenho da balança comercial do agronegócio.
A ABPA também apresentou as primeiras estimativas para 2027, que apontam continuidade do crescimento. A produção de carne de frango poderá atingir 16,6 milhões de toneladas, a de carne suína 6,05 milhões de toneladas e a produção de ovos alcançar 66,5 bilhões de unidades, acompanhadas por nova expansão das exportações brasileiras.
Por Amanda Coelho
