
As exportações da indústria brasileira de máquinas e equipamentos devem fechar 2026 em alta de 6,4% na comparação com o ano passado, segundo projeção divulgada nesta quarta-feira (29) pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Apesar do avanço nas vendas externas, a entidade mantém a expectativa de retração no faturamento do setor, reflexo da fraqueza do mercado interno e da perda de competitividade diante da concorrência internacional.
De acordo com a diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, Maria Cristina Zanella, a receita da indústria ainda deve recuar 3,6% neste ano. No entanto, ela admitiu que os dados mais recentes indicam um cenário menos favorável, o que pode levar a uma revisão das projeções nas próximas semanas.
Segundo Zanella, a demanda doméstica continua enfraquecida, enquanto os fabricantes brasileiros enfrentam dificuldades para competir no mercado dos Estados Unidos. Embora as tarifas aplicadas ao Brasil sejam semelhantes às cobradas de outros países exportadores, a principal desvantagem ocorre na disputa direta com a indústria norte-americana.
“A perda de competitividade é significativa quando o concorrente é o fabricante americano, que produz praticamente os mesmos tipos de máquinas fabricados no Brasil”, destacou a executiva.
A Abimaq avalia que, caso o desempenho do segundo semestre repita o ritmo observado no mesmo período de 2025, a retração do setor poderá ser maior do que a prevista atualmente. A estimativa inicial de queda de 3,6% no faturamento pode ser revisada para um recuo entre 5% e 6%.
A entidade informou que deve apresentar uma atualização oficial das projeções durante a próxima divulgação dos indicadores do setor.
Para o agronegócio, o desempenho da indústria de máquinas merece atenção, já que o segmento fornece equipamentos essenciais para atividades como preparo do solo, plantio, colheita e armazenagem. Um mercado doméstico mais fraco pode influenciar o ritmo de investimentos em tecnologia e renovação de frota nos próximos meses.
Por: Redação Caderno Agro
