MS vai na contramão do Brasil e transforma expansão industrial em empregos e investimentos

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Foto: Divulgação Fiems

Enquanto a indústria brasileira perdeu força em junho, Mato Grosso do Sul avança na direção oposta e consolida uma trajetória de expansão sustentada por investimentos, novas plantas e ampliação da atividade produtiva. O contraste aparece nos números: a produção industrial nacional recuou 1,8% em junho, enquanto o setor industrial sul-mato-grossense encerrou o primeiro semestre com mais de 9,5 mil novos empregos formais, o melhor resultado para o período em toda a série histórica do Novo Caged.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 12 dos 15 locais pesquisados registraram queda na produção industrial em junho ante maio. São Paulo, maior parque industrial do País, recuou 3,2%. Também tiveram perdas Amazonas (-11,3%), Espírito Santo (-3,4%), Ceará (-2,9%), Santa Catarina (-1,8%), Goiás (-1,7%) e Minas Gerais (-1,3%), entre outros.

Na contramão desse cenário, apenas três Estados apresentaram crescimento: Rio Grande do Sul (+3,7%), Bahia (+2,7%) e Mato Grosso (+1,6%).

Embora o levantamento mensal do IBGE não apresente Mato Grosso do Sul entre os locais pesquisados, os indicadores de emprego revelam a força que a indústria vem ganhando no Estado. De acordo com o Observatório da Indústria da Fiems, foram criados mais de 9,5 mil postos de trabalho industriais entre janeiro e junho, alta de 6% sobre o mesmo período de 2025, quando o setor havia aberto 8.944 vagas.

O resultado também supera o antigo recorde para o primeiro semestre, registrado em 2023, quando foram gerados 9.008 empregos.

Indústria já responde por 51% dos empregos criados

O avanço não é apenas quantitativo. A indústria se tornou o principal motor da geração de empregos em Mato Grosso do Sul em 2026, respondendo por 51% de todas as novas vagas abertas no Estado no primeiro semestre.

Em junho, o setor reunia mais de 181 mil trabalhadores formais. A maior parcela está na Indústria de Transformação, com 122,9 mil empregados, seguida pela Construção, com 44,7 mil, pelos Serviços Industriais, com 8,7 mil, e pela Indústria Extrativa Mineral, com 4,8 mil.

A composição dos novos empregos ajuda a explicar o momento vivido pela economia estadual. Entre as atividades que mais contrataram estão a montagem industrial, com saldo de 1.700 vagas; construção de edifícios, com 1.156; fabricação de álcool, com 1.147; construção de rodovias e ferrovias, com 983; e instalação e manutenção elétrica, com 625.

Também chama atenção a força das agroindústrias. Os frigoríficos de bovinos abriram 610 postos, enquanto os segmentos de abate de suínos e aves geraram, respectivamente, 527 e 251 empregos.

O movimento mostra que a industrialização de Mato Grosso do Sul está diretamente conectada às cadeias produtivas que formam a base econômica do Estado. Agroindústria, bioenergia, construção e transformação de matérias-primas estão entre os segmentos que sustentam a expansão e agregam valor à produção dentro do próprio território sul-mato-grossense.

Investimentos mudam o mapa econômico do Estado

Para o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, o desempenho está relacionado ao avanço de investimentos bilionários em obras de construção e ampliação de fábricas, que movimentam o mercado de trabalho e aumentam a demanda por mão de obra.

Esse processo também começa a redesenhar o mapa industrial de Mato Grosso do Sul. Inocência liderou a geração de empregos industriais no primeiro semestre, com 3.848 novas vagas, seguida por Campo Grande, com 1.817. Três Lagoas abriu 727 postos, Dourados 653 e Rio Brilhante 434.

O cenário evidencia que a industrialização deixou de estar concentrada apenas nos grandes centros e passa a produzir efeitos em diferentes regiões do Estado, levando investimentos, empregos, infraestrutura e novas oportunidades para os municípios.

Nesse processo, a atuação das instituições ligadas ao setor tem papel estratégico. O acompanhamento realizado pelo Observatório da Indústria da Fiems permite medir a evolução do mercado de trabalho e identificar os segmentos que mais avançam, enquanto a articulação do setor produtivo contribui para preparar o ambiente necessário à chegada de novos investimentos e à expansão das empresas já instaladas.

MS constrói uma indústria mais forte

Os números do primeiro semestre reforçam uma mudança importante na economia sul-mato-grossense. Em um momento de perda de ritmo da indústria brasileira, Mato Grosso do Sul apresenta capacidade de atrair investimentos, ampliar sua base produtiva e transformar expansão industrial em emprego.

O desafio agora é sustentar esse ciclo, qualificando mão de obra, ampliando infraestrutura e criando condições para que as matérias-primas produzidas no Estado sejam cada vez mais transformadas dentro de Mato Grosso do Sul.

Mais do que um bom resultado pontual, os números apontam para um Estado que vem fortalecendo sua vocação industrial e agregando valor às próprias cadeias produtivas. E, para uma economia fortemente ligada ao agronegócio, essa industrialização representa um passo decisivo: produzir, processar e gerar riqueza cada vez mais dentro de Mato Grosso do Sul.

Por: Amanda Coelho