
Nem toda parceria começa com um aperto de mão e termina na porteira. Em Japorã, no sul de Mato Grosso do Sul, a história de Braz Pereira mostra que, no campo, algumas relações podem ir muito além dos números da propriedade.
Quando a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em Bovinocultura do Senar/MS chegou à fazenda, a missão era bastante objetiva: melhorar a criação de gado e ajudar o produtor a fazer a conta fechar. O resultado, porém, foi maior do que Braz imaginava.
Em poucos anos, o produtor reduziu entre 30% e 40% os custos com alimentação, dobrou o tamanho do rebanho, que passou de 80 para 160 cabeças, e ainda ganhou um amigo. O técnico de campo Matheus Damasceno se tornou tão próximo da família que os dois acabaram virando padrinho e afilhado de casamento.
“É um irmão que eu acabei virando padrinho de casamento. Se não fosse a assistência do Matheus aqui, eu acho que já teria parado. O Senar/MS é muito importante, eu recomendo”, conta Braz.
A história faz parte do projeto “Transformando Vidas”, do Senar/MS, que mostra como a assistência técnica pode mudar não apenas a produtividade de uma propriedade, mas também a trajetória de quem vive dela.
De volta ao campo
A relação de Braz com a pecuária começou antes mesmo de ele chegar a Japorã. Em 2018, depois de passar anos percorrendo as estradas de Mato Grosso do Sul ao lado dos irmãos, trabalhando com a venda de madeira de eucalipto em propriedades rurais, decidiu mudar de vida.
Cansado da rotina de viagens, comprou um sítio em Japorã e passou a se dedicar à produção na própria terra. E foi justamente para o gado, atividade de que mais gostava, que voltou suas atenções.
O início, entretanto, foi de dificuldades.
Braz investia em diferentes produtos para melhorar a nutrição e acelerar a engorda dos animais, mas os resultados não apareciam. O dinheiro saía, o gado não respondia e as contas simplesmente não fechavam.
“O dinheiro estava indo pelo ralo. Nós fazíamos as contas de quanto tinha que dar por dia e não batia, o gado não ganhava peso”, lembra.
Foi nesse momento que entrou em cena Matheus, técnico da ATeG do Senar/MS. A indicação veio de um vendedor que conhecia o trabalho desenvolvido pela instituição.
Na primeira avaliação, produtor e técnico analisaram a alimentação fornecida aos animais e identificaram um dos principais problemas: a dieta não estava ajustada às necessidades do rebanho.
Menos gasto, mais resultado
A partir do acompanhamento técnico, a alimentação dos animais passou por uma transformação.
Braz deixou de depender de produtos prontos e passou a trabalhar com uma formulação mais adequada à realidade da propriedade. Também substituiu o sistema de alimentação in natura pela silagem e realizou a pesagem dos animais para ajustar a dieta.
O resultado apareceu rapidamente.
“Em cerca de 30 dias, a saúde do gado melhorou significativamente”, relata o produtor.
Além da melhora no desempenho dos animais, a mudança também teve impacto direto no bolso. Segundo Braz, os custos com alimentação caíram entre 30% e 40%.
“No começo eu fazia uma dieta in natura e tinha duas máquinas trabalhando que estavam dando muito problema. O Matheus veio e sugeriu pra gente trabalhar com a silagem. Nós pesamos todo o gado e mudamos o jeito de fazer a formulação de ração. Daquele dia em diante, eu parei de comprar produtos prontos. O custo baixou muito, acredito que em torno de uns 30% a 40%”, explica.
Quando o técnico vira amigo
No campo, o acompanhamento técnico acontece na rotina: uma visita, uma conversa, uma avaliação dos animais, uma orientação sobre manejo. Mas, na propriedade de Braz, essa convivência acabou criando um vínculo que ultrapassou os limites do trabalho.
Matheus conta que o produtor passou a seguir as orientações de nutrição e manejo e que a troca constante entre os dois foi fortalecendo a relação.
“Ele sempre seguiu todos os conselhos que eu dei em questão de nutrição, manejo com animais. A gente começou a conversar, perguntava como estavam os animais, o consumo e, devido a essa troca, foi criando mais afinidade, convidando para um churrasco, tomando uma cervejinha junto, e acabou que viramos amigos, padrinho e afilhado”, conta o técnico.
Para Braz, a assistência técnica trouxe um resultado que não aparece em nenhuma planilha.
“Através dessa visita do Senar/MS, eu ganhei um filho mais velho, um irmão. Ele é uma pessoa muito querida.”
Rebanho dobrou e ainda pode crescer
Com a melhoria do manejo e da alimentação, a propriedade entrou em uma nova fase.
Hoje, Braz consegue planejar melhor a quantidade de ração necessária para o rebanho, comprar os insumos de acordo com a demanda e reduzir o tempo de recria e engorda.
“A gente calcula o que tem de alimentação e depois efetua a compra em cima do que se tem, para evitar possíveis erros de chegar no final e não fechar a conta”, explica.
A própria estratégia de produção de forragem também foi revista.
Segundo Matheus, o produtor utilizava capiaçu, mas o alimento apresentava variações que dificultavam a estabilidade da dieta. A solução foi buscar alternativas que entregassem mais energia aos animais.
“Ele trabalhava com o pasto de capiaçu, que, às vezes, mesmo estando no ponto ideal de corte, tinha alta quantidade de proteína e fibra baixa, então era uma dieta muito instável. Começamos plantando sorgo e agora plantamos outra variedade de sorgo, que consegue acrescentar mais energia na dieta”, explica.
A tecnologia, nesse caso, não chegou como uma grande revolução de uma hora para outra. Foi sendo incorporada aos poucos, aproveitando os recursos que já estavam disponíveis na propriedade.
“Usamos os recursos que ele tinha para aumentar o desempenho dos animais, reduzir o trabalho e aumentar os lucros”, afirma Matheus.
De 80 para 160 — e com os olhos nos 500
Quando o acompanhamento começou, Braz tinha aproximadamente 80 cabeças e quatro baias. Hoje, o rebanho já chega a 160 animais.
Mas a porteira ainda está longe de fechar para os planos do produtor.
A meta é chegar, no futuro, a 500 cabeças.
“Acho que quando a gente começou, tinha umas 80 cabeças. Tinha umas quatro baias, depois a gente saiu para 160 e temos o projeto de ir para 500 cabeças no futuro. Devagarinho a gente vai indo.”
Mais do que aumentar o número de animais, Braz quer construir uma propriedade capaz de sustentar a família e permanecer como um projeto de longo prazo.
“Hoje melhorou muito. Eu espero em Deus que a parceria continue e também que esse programa não acabe. O meu sonho era ter uma propriedade autossustentável em afeto, ficar com a minha família, filhos e neto. Eu espero muito que essa fazenda consiga fazer eles crescerem e não saírem daqui.”
Em Japorã, a história mostra que assistência técnica pode mudar a dieta do gado, reduzir custos e aumentar o rebanho. Mas, às vezes, também pode fazer algo que nenhuma planilha consegue medir: transformar uma relação profissional em amizade, confiança e família.
Por: Redação Caderno Agro
Com informações da Assessoria de Comunicação da Famasul
