
O mercado pecuário brasileiro entra no último trimestre de 2026 com movimentos diferentes entre as categorias. Enquanto o boi gordo mantém um cenário de maior cautela no mercado físico, os animais de reposição seguem em valorização, pressionando os custos de recriadores e confinadores.
O bezerro acumula seis semanas consecutivas de alta e, segundo o zootecnista Matheus Santos, da Agrifato, a valorização já começa a se refletir também no boi magro. Em entrevista ao Canal do Boi, ele destacou que a menor disponibilidade de animais tem sustentado os preços da reposição.
O cenário reduz a relação de troca para o pecuarista que precisa comprar animais, embora ainda haja oportunidades para o confinamento. Santos explica que o custo da nutrição, especialmente do milho, pode abrir janelas favoráveis para quem planeja colocar animais no cocho nos próximos meses.
No mercado do boi gordo, o ambiente é mais otimista na B3 do que no físico. Os contratos com vencimento entre outubro e dezembro chegaram a máximas recentes, enquanto os negócios no mercado à vista seguem mais lentos.
Para setembro, as exportações aparecem como um dos principais fatores de atenção. A ampliação da cota norte-americana para importação de carne bovina e a expectativa de retomada das negociações com a China podem contribuir para sustentar a demanda brasileira.
Por outro lado, a saída da União Europeia das compras a partir de setembro representa um ponto de pressão. Segundo Santos, o bloco respondeu por cerca de 4% das exportações brasileiras de carne bovina em 2025, enquanto os Estados Unidos representaram aproximadamente 8,5%.
Mesmo com a reposição mais cara, a perspectiva para o confinamento permanece positiva. A combinação entre preços do boi gordo, expectativas de exportação e possíveis oportunidades nos custos de alimentação pode manter aquecido o interesse dos pecuaristas pelo sistema no fim de 2026.
Por: Amanda Coelho
