
A economia brasileira deve crescer menos do que o esperado em 2026. O mercado financeiro reduziu pela segunda semana consecutiva a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB), de 1,95% para 1,92%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central.
A revisão, embora pequena, reforça a percepção de perda de força da atividade econômica. O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é um dos principais indicadores para medir o desempenho da economia. Para os anos seguintes, o mercado manteve as projeções de crescimento em 1,50% para 2027, 1,98% para 2028 e 2% para 2029.
O cenário é especialmente preocupante porque ocorre em meio a uma taxa básica de juros ainda elevada. A Selic está em 14% ao ano, e as instituições financeiras projetam que termine 2026 em 13,75%. Juros altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e podem dificultar investimentos por parte das empresas, fatores que limitam a expansão da economia.
A expectativa é de uma redução gradual da Selic nos próximos anos. O Focus prevê a taxa em 12% ao final de 2027, 10,5% em 2028 e 10% em 2029.
Inflação recua, mas segue acima da meta
Apesar da piora na expectativa para o crescimento, o mercado revisou levemente para baixo a projeção de inflação para 2026. A estimativa para o IPCA passou de 5,02% para 5,01%. Para 2027, porém, a previsão subiu de 4,25% para 4,28%.
Para 2028 e 2029, as projeções permanecem em 3,80% e 3,50%, respectivamente. Em 12 meses, o IPCA acumulado está em 4,44%, segundo os dados oficiais de julho do IBGE.
Dólar deve terminar o ano em R$ 5,20
Para o câmbio, o mercado manteve a previsão de dólar a R$ 5,20 no fim de 2026. Para 2027, a expectativa é de R$ 5,30, patamar que também deve ser mantido em 2028. Para 2029, a projeção é de R$ 5,36.
O câmbio influencia diretamente a economia. Um dólar mais alto encarece produtos importados e pode pressionar a inflação, mas também favorece as exportações brasileiras ao tornar os produtos nacionais mais competitivos no exterior.
O alerta maior, neste momento, está na atividade econômica. Com a projeção de crescimento do PIB recuando e os juros permanecendo em patamar elevado, o cenário apontado pelo mercado é de uma economia brasileira com menos espaço para avançar em 2026.
Por: Redação Caderno Agro
