MS reduz rebanho em quase 800 mil cabeças, mas mantém força da pecuária e qualidade da carne

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Mato Grosso do Sul fechou 2025 com 17,94 milhões de bovinos, quase 800 mil animais a menos do que o registrado um ano antes. A queda de 798.511 cabeças representa retração de 4,3% no efetivo estadual, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (30).

A redução chama atenção pelo tamanho: o número de animais que deixou de integrar o rebanho sul-mato-grossense em apenas um ano equivale, praticamente, ao total de bovinos existentes em Ribas do Rio Pardo, um dos principais polos pecuários do Estado.

Apesar da diminuição do estoque, Mato Grosso do Sul segue entre os grandes produtores de carne bovina do País e mantém uma pecuária marcada por escala, genética, sanidade e sistemas de produção cada vez mais eficientes. Ou seja, a redução do número de cabeças não representa, isoladamente, uma queda proporcional na capacidade produtiva da atividade.

O próprio levantamento do IBGE mostra que o movimento de redução do rebanho ocorre em um cenário mais amplo. O efetivo brasileiro recuou 1,7% em 2025, para 234,3 milhões de bovinos, enquanto o Centro-Oeste apresentou queda de 3,7%. A região, ainda assim, continua concentrando a maior parcela do rebanho nacional, com 72,2 milhões de animais, ou 30,8% do total brasileiro.

Menos animais, mas pecuária mais eficiente

A leitura dos números precisa considerar a diferença entre tamanho do rebanho e desempenho da produção. O estoque contabilizado pelo IBGE representa os animais existentes em 31 de dezembro e não corresponde ao volume de bovinos abatidos ao longo do ano.

No cenário nacional, o IBGE relaciona a redução do efetivo ao aumento dos abates observado nos últimos anos, especialmente de fêmeas. A retirada maior de matrizes reduz temporariamente a capacidade de reposição e ajuda a explicar a retração dos estoques.

Em Mato Grosso do Sul, o recuo ocorre justamente em uma cadeia que vem ampliando investimentos em genética, manejo, nutrição, sanidade e tecnologias de produção. Esses fatores permitem que a pecuária busque maior produção por animal e melhor aproveitamento dos sistemas produtivos, reduzindo a relação direta entre quantidade de cabeças e capacidade de geração de carne.

O Estado também mantém posição estratégica no mercado de proteína animal, com forte presença nas exportações e uma produção reconhecida pela qualidade sanitária e pelos padrões exigidos pelos principais compradores internacionais.

Corumbá concentra maior rebanho

Mesmo com a redução estadual, a distribuição dos bovinos continua concentrada em grandes municípios produtores. Corumbá lidera o ranking de Mato Grosso do Sul, com 2.154.749 cabeças em 2025. O município responde sozinho por cerca de 12% de todo o rebanho estadual e mantém o segundo maior efetivo municipal do Brasil, atrás apenas de São Félix do Xingu (PA).

Aquidauana aparece na sequência, com 845.026 animais, enquanto Ribas do Rio Pardo ocupa a terceira colocação, com 782.275.

Somados, os três municípios concentram aproximadamente 3,78 milhões de bovinos, o equivalente a 21,1% de todo o rebanho de Mato Grosso do Sul.

Porto Murtinho, com 694.235 cabeças, e Rio Verde de Mato Grosso, com 567.121, completam as cinco maiores concentrações estaduais. Campo Grande aparece com 406.759 bovinos.

Os números divulgados pelo IBGE são preliminares e podem sofrer alterações na próxima atualização da pesquisa. Ainda assim, o levantamento deixa um retrato importante da pecuária sul-mato-grossense: um rebanho menor em quantidade, mas inserido em uma cadeia que mantém escala, competitividade e capacidade de produzir carne de alto padrão.

Por: Elaine Oliveira